História de Santa Bárbara de Padrões

A aldeia de Santa Bárbara de Padrões pode ser identificada com a antiga cidade romana de Arannis no Sul da Lusitânia, uma afirmação demonstrada pelo estudo da famosa via XXI do Itinerário de Antonino. Como uma prova para tal afirmação, temos um bom troço de calçada romana ainda visível desta via atual povoação de Santa Catarina da Fonte do Bispo (freguesia do concelho de Tavira, Faro), na margem da ribeira dos Montes e Lagares, troço que seguiria depois para Norte por Porto Carvalhoso. Este pedaço de estrada seria aquele que ligaria a cidade de Arannis a Ossonoba. Tudo leva a querer que Santa Bárbara tenha sido Arannis devido ao posicionamento geográfico de Santa Bárbara de Padrões e os vestígios arqueológicos desta última cidade.





A região em que está inserida Santa Bárbara de Padrões, tem uma ampla tradição de ocupação pré-romana na Idade do Ferro, onde abundavam locais de culto e povoados importantes. Na época romana, ao contrário de Santa Bárbara que assume um lugar central dentro dos santuários da região, as manifestações culturais dos outros locais de culto tendem a decair. A razão deste fenómeno explica-se pela passagem da via Ossonoba – Pax Iulia por Arannis.




Dos vestígios arqueológicos encontrados em Santa Bárbara de Padrões, deduziu-se que no alto da colina, sob a atual igreja gótica, se encontraria o santuário, mais precisamente, o templo principal da divindade. Este último estaria orientado na direção Este-Oeste (como é comum nos templos romanos). No entanto, nos casos de espaços sagrados comportando depósitos secundários de lucernas, colocam a hipótese da existência nesses sítios de um simples santuário ao ar livre, devido à coincidência de não se terem identificado edifícios de culto perto de qualquer dos depósitos conhecidos: os depósitos votivos da Horta das Faias e Horta do Pinto.